Crítica e tudo sobre o filme X-MEN: APOCALIPSE – 2016

Ygor Teixeira - 06/05/2016 15h00 Atualizada - 06/05/2016 15h28

Após seu elogiado trabalho em X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, o diretor Bryan Singer retorna ainda com mais força e traz X-MEN: APOCALIPSE, em que os X-Men terão que enfrentar o primeiro e mais poderoso de todos os mutantes: o Apocalipse.

Em 1983, o invencível e imortal Apocalipse foi libertado depois de ficar enterrado por vários milhares de anos. Ele se enfurece porque os da sua espécie não são mais tratados como deuses e reúne uma equipe de poderosos mutantes, inclusive o revoltado Magneto, a fim de destruir a raça humana e criar uma nova ordem mundial em que ele reinará. Para impedir que isso aconteça, Raven (interpretada por Jennifer Lawrence) e o Professor X (interpretado por James McAvoy) conduzem uma equipe de jovens X-Men em um conflito de proporções épicas contra um inimigo aparentemente indestrutível.

Confira o Trailer de X-MEN: APOCALIPSE legendado:

O APOCALIPSE DE HOJE… E DE OUTRO TEMPO

O grande sucesso de crítica e bilheteria X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO já havia estabelecido padrões extremamente elevados.  Além disso, o objetivo dos cineastas não era só igualar as expectativas criadas por aquele filme. Era preciso também superá-las.  “Tínhamos o real desafio de criar uma história que superasse X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO em termos de escala e objetivos”, observa Simon Kinberg, produtor e roteirista deste e do filme anterior.

Demos um salto criativo quando decidimos que o vilão do novo filme seria o vilão mutante mais poderoso de todo o universo dos X-Men.  “Apocalipse é uma ameaça de proporções cósmicas. Eu e o Bryan Singer gostamos dessa ideia de escala”, acrescenta Simon Kinberg.

Evidentemente, era fundamental que Bryan Singer investisse muito nesse personagem.  Ele reinventou o gênero dos quadrinhos com a estreia do sucesso de X-MEN em 2000, depois com o grande sucesso de bilheteria X-MEN 2, em 2003. Com esses filmes e, anos depois, com X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, Bryan Singer fez uma mistura impecável de drama, ficção científica, ação e aventura.

Singer gostou principalmente do fato que Apocalipse se considera um deus.   “Eu fiquei muito fascinado pela ideia de poderes mutantes antigos e o que um mutante pensaria se tivesse nascido 20,000 ou 30.000 milhares de anos atrás.  E eles pensariam, com certeza, que eram deuses e se comportariam dessa forma.  E seriam considerados e adorados como deuses.

“Apocalipse acreditava que era sua responsabilidade construir a sociedade e remover a selvageria inata da humanidade.   Ao longo dos milênios, Apocalipse fez isso muitas vezes: os babilônios, os arcádios, os sumérios, e ele recebeu muitos nomes de deuses por muitas vidas.”

“O Bryan foi fundo na história para trazer esse incrível personagem de uma era muito distante”, diz o produtor Hutch Parker.  Na verdade, muito antes de o mundo saber que os mutantes existiam, o Apocalipse reinava como um deus.  “Na verdade, ele se considera não apenas um deus qualquer, mas o grande deus do universo”, diz Simon Kinberg.  “É um conceito muito forte para um vilão.  Não é um confronto entre homens e mutantes, como vimos nos outros filmes; é um mundo que o Apocalipse imaginou, em que só os fortes sobrevivem”.

“Ele é a maior ameaça que os X-Men já conheceram”, acrescenta Hutch Parker.  “O Apocalipse é muito antigo e sobrenatural.”

Com as ideias de destruição do mundial do Apocalipse, é claro que este é o filme dos X-Men de maior ambição no trabalho visual.  “Não se trata apenas de viajar pelo mundo, trata-se da possibilidade de que aconteça o fim do mundo, talvez até o fim do universo”, diz o diretor de fotografia Newton Thomas Sigel, que também trabalhou com Bryan Singer em X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, X-MEN 2 e X-MEN, entre outros filmes.  Oscar Isaac, que interpreta o terrível personagem, acrescenta: “O cenário está montado para uma guerra monumental de mutantes contra um megamutante.  A batalha entre os X-Men e Apocalipse é insana!”

O público já teve pequena amostra do Apocalipse nos créditos finais de X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, em que uma versão mais jovem do mutante aparece construindo pirâmides por meio de telepatia enquanto seus fiéis seguidores observam.

Sua hibernação de 5.000 anos começou quando a civilização estava no apogeu. Ele desperta quando ela está no período que ele considera seu ponto mais baixo.  No novo filme, Apocalipse ressurge no Cairo em 1983 após milhares de anos de hibernação e fica furioso com a decadência do planeta—carros, barulho, poluição—sinais de um mundo que não deu certo e terá que passar por uma limpeza.  Sua missão é exterminar os fracos e reconstruir tudo para os fortes.

“É uma época de conflito, guerra e destruição”, observa Bryan Singer.  “Apocalipse avalia que esta civilização precisa ser eliminada.   Há ídolos falsos: as pessoas adoram o dinheiro agora e possuem armas nucleares, o que lhes dá a falsa ideia de possuírem poderes divinos.   Isso não está certo, segundo Apocalipse.  Então, ele quer colocar um fim em tudo e começar do início novamente – e remodelar a Terra à sua imagem.”

Simon Kinberg cresceu na década de 1980 e sabe que ela foi marcada por excessos, como se viu nos penteados, na moda e nos automóveis.   “Em 1983, o Apocalipse sai da perfeição da antiga cultura egípcia e se vê diante de uma cultura de super população, poluição e ameaça nuclear”, ele diz. “Então seus motivos até fazem sentido. Seus métodos e objetivos é que são extremos”.

Oscar Isaac, que assume o papel de Apocalipse depois de interpretar o heroico piloto de caça Poe Dameron em STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA, diz que o personagem é nada menos que “a grande força criadora e destruidora do planeta.  Quando parece que as coisas não estão mais evoluindo, como aconteceu na década de 1980, ele destrói essas civilizações.”

Singer pensou na hipótese de fazer o personagem gigante durante maior parte do filme, mas depois rejeitou essa noção.  “Vocês o verão ser mais poderoso do que tudo, então essa já será a sensação,” explica ele.  “Mas também senti que ele precisava exercer os poderes de persuasão.   É por isso que preferi um ator realmente excelente – o Oscar – em vez de lançar nele um figurino digital e animá-lo.   Há algumas coisas bem espetaculares que acontecem, mas é importante sentir uma sensação de coisa real, de que o Apocalipse é um ser físico.  Eu nunca quis perder o ator dentro da animação computadorizada.”

Era preciso que o papel tivesse uma certa mistura de crueldade com violência e um toque singular de humanidade.  É um equilíbrio delicado que o Isaac executa com muita habilidade.  “O Oscar tem todas as qualidades dos grandes atores”, diz Simon Kinberg.  Hutch Parker acrescenta: “Oscar tem tanta autenticidade e integridade dramática que sustenta grande parte do filme. Tudo gira em torno do seu personagem.”

RAVEN, CHARLES E ERIK: ESPERANÇA, DESESPERO E ARMAGEDON

O mundo de 1983 também teve conflitos no trato com os mutantes.  O próximo estágio da evolução humana agora é aceito pela maioria, mas não por toda a humanidade, graças ao heroísmo de Raven/Mística, que, como se viu em X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, impediu o assassinato do presidente dos Estados Unidos e uma guerra entre mutantes e humanos.

Raven, que tem a pele azul e pode se transformar no que quiser, busca seu verdadeiro propósito, além da difícil tarefa de se aceitar como é.  Nos anos anteriores à história de X-MEN: APOCALIPSE, ela tentou se esconder do mundo. Trocou seu status de celebridade e nova face da esperança pelo novo seu mundo de integração com os mutantes.  Ela evita ser rotulada e acredita que grande parte do seu passado não justifica sua imagem de heroína.

Agora, ela vive de acordo com suas próprias regras e trabalha de forma independente como salvadora mutante marginal, em luta contra os casos ainda existentes de exploração de mutantes por parte de seres humanos e salva os que ainda são perseguidos.

“A personagem agora está mais para ‘Raven’ do que ‘Mística’ nesta história, pois ela não pode ser a mutante que realmente é em um mundo que não lhe parece ser tão tolerante quanto se costuma alegar”, diz Jennifer Lawrence, que já interpretou o papel em X-MEN: PRIMEIRA CLASSE e em DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO.  É por isso que ela tem sido mais Raven desde os acontecimentos dos filmes anteriores, para que ninguém saiba que ela é aquela mutante.  Quando aparece neste filme, ela tem vivido como Raven secretamente.”

Em sua missão de ajudar os mutantes onde puder, Raven acaba liderando os X-Men em uma batalha monumental contra Apocalipse.  Mas, antes, ela se reúne com os dois homens com quem tem mais amizade, ambos com sua própria história igualmente complexa e tortuosa: Charles Professor Xavier (também conhecido como Professor X) e Erik Lensherr (mais conhecido como Magneto).  Raven e Charles já passaram por muita coisa juntos e fizeram parte da equipe original dos X-Men.  Nos anos seguintes, eles se separaram, tanto pela distância quanto pelas convicções.

Quando eles se reencontram, os pontos de vista de Raven entram em conflito com os de Charles. “Ela ainda não acredita que as pessoas aceitaram os mutantes, ela já viveu o lado sombrio dessa equação,” explica Singer.  “Assim, ela confronta Charles nesse aspecto.  Ele não tem intenção de formar uma força para luta de nenhum tipo.  Eles têm visões polarizadas de para onde o mundo caminhou nos últimos 10 anos e como isso fomenta a formação dos X-Men.”

Charles aparece em X-MEN: APOCALIPSE após ter se dedicado a construir a Escola para Crianças Superdotadas, um porto seguro em que os mutantes podem aprender a controlar seus poderes.

Dentro do contexto do universo Marvel, Simon Kinberg considera a escola de Professor Xavier uma ideia radical.  “É um cara que pega um bando de garotos, treina-os em um compartimento seguro do porão, e eles vestem roupas especiais, e saem pelo mundo todo lutando contra o mal e a injustiça.  Em vez de fugir dessa ideia, resolvemos explorar esse radicalismo dos X-Men”, explica.

James McAvoy, que interpreta novamente o papel, avalia: “O Professor Xavier, um telepata poderoso, tem como seu maior poder a empatia e capacidade de ensinar.  Os acontecimentos do último filme o tornaram esperançoso e mais responsável.”

A figura cheia de otimismo e esperança do Professor Xavier em 1983 é absolutamente diferente do homem abatido de DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO.  “Ele está cercado por estudantes jovens e brilhantes, e agora consegue enxergar além do ambiente de preconceito, medo e ódio que permeia o mundo”, diz James McAvoy.  Mas sua forma de pensar passa por outra mudança quando Apocalipse começa seu reino de terror e destruição.  “Os piores medos do Professor Xavier começam a se concretizar, e ele tem que encarar a realidade de um mundo que está dominado por um mutante maligno”, acrescenta James McAvoy.  “De certa forma, ele passa a ser mais militante, e mais parecido com o Magneto.”

James McAvoy se refere, evidentemente, ao melhor amigo e maior rival do Professor Xavier, que finalmente aparece vivendo em paz no começo de X-MEN: APOCALIPSE.  Magneto havia desaparecido após o fracasso da sua tentativa de assassinar o presidente dos Estados Unidos em DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO. Seu silêncio e sua ausência são benéficos para o processo de integração dos mutantes à sociedade.

“Mais de 10 anos depois, ele deixou de ser um vilão”, diz Michael Fassbender (recentemente indicado para o Oscar®), que volta a interpretar o poderoso mutante.  O Magneto vive uma vida tranquila em uma pequena cidade da Polônia.  Tem uma esposa e uma filha bem nova, além de emprego numa fábrica de aço.  Mas ele tem um confronto trágico com autoridades locais, sua vida tranquila é despedaçada e seu coração sofre um grave revés.

“Magneto decide seguir o modelo dos pais, que era viver e trabalhar na sua terra natal, a Polônia”, diz Bryan Singer.  “Mas as coisas acabam dando muito errado, ele fica arrasado e toma um caminho extremo.”

DESTRUIR

Mais uma vez movido por ódio e vingança, Magneto fica suscetível à oferta de Apocalipse: juntar-se a ele e ser um dos novos Quatro Cavaleiros.  Inspirados na visão bíblica dos Quatro Cavaleiros, que lançam um castigo divino sobre o mundo, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse são guerreiros mutantes que, segundo Michael Fassbender, “vivem na marginalidade, são banidos do convívio ou intimidados”.

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse de 1983 são Magneto, Psylocke, Anjo e Tempestade.  Psylocke, interpretada por Olivia Munn, é uma telepata poderosa e assassina ninja.  Ela surge como guarda-costas de Caliban, um mutante subterrâneo.  O Apocalipse percebe o poder de Psylocke e a convence a defender sua causa.  “Ela é uma personagem fascinante”, diz Olivia Munn.  “Ela é diferente de muitos dos outros mutantes que só matam quando é necessário. Ela sempre gostou de matar, ou pelo menos não se importa em fazê-lo.”

Olivia Munn é fã das personagens dos quadrinhos e diz que Psylocke sempre teve histórias interessantes. “Ela é uma lutadora habilidosa, forte e feroz.  É uma personagem feminina bem perigosa e poderosa.”

Tempestade (seu nome de batismo é Ororo Monroe) é órfã e foi criada como ladra nas ruas do Cairo.  Interpretada por Alexandra Shipp, Tempestade tem a capacidade de controlar todos os aspectos do clima.  Também pode voar, pois controla rajadas de vento.  Ela se torna uma das líderes mais valiosas dos X-Men, mas, neste filme, luta para aceitar sua própria identidade antes de Apocalipse convencê-la a fazer parte da sua equipe.

“Essa Tempestade é mais irresponsável e emocional que a Tempestade adulta vista nos filmes anteriores dos X-Men, interpretada por Halle Berry”, diz Alexandra Shipp.  “Ela fica confusa sobre quem ela quer ser e, por falta de oportunidades, passa a ser um dos novos Cavaleiros do Apocalipse.”

O Quarto Cavaleiro é Angel, que tem grandes asas e consegue voar.  Com sua agilidade, força e reflexos, é um combatente mortal.

Em X-MEN: APOCALIPSE, Angel sofreu graves danos nas asas e é revoltado como um roqueiro punk.  Ele é bêbado, descabelado e sobrevive apenas com o instinto.  No começo do filme, ele é o campeão das arenas de luta clandestinas de Berlim Oriental.  Ele é abordado por Apocalipse, que lhe dá a oportunidade de canalizar sua revolta e ser um dos Cavaleiros.  Angel se torna assistente do grande vilão mutante, pois precisa de um motivo para viver, em vez de apenas motivos para matar.  Em troca de sua fidelidade, Apocalipse conserta suas asas, transforma-as em metal tecno-orgânico. Elas agora são indestrutíveis e disparam lâminas mortais.

Ben Hardy sabia que o personagem é um dos mais esperados pelos fãs e se esforçou muito para dar vida a Angel.  Isso incluiu um regime de treinamento rigoroso. Treinou seis dias por semana e seguiu uma dieta rígida, “para parecer o mais super-humano possível”, ele diz. Para as cenas em que voa, treinou e executou muitas manobras complicadas sustentadas por fios, como um artista de circo. “Ficar a 10 metros de altura e fazer piruetas era como andar na montanha russa o dia todo”, diz Hardy.

DEFENDER

Enquanto Apocalipse reúne seus Cavaleiros, Charles está ensinando e treinando seus jovens alunos.   Quando seus problemas aparecem, os jovens têm que crescer rapidamente. Raven diz a eles: “Vocês não são mais estudantes, agora são X-Men.”

Muitos desses personagens já são conhecidos do público, mas, neste filme, aparecem como versões mais jovens das figuras icônicas dos filmes anteriores.   Singer diz que dar vida a essas versões dos personagens foi um dos pontos altos de criar X-MEN: APOCALIPSE.  “O mundo aceitou os mutantes de algum modo, e este filme não só apresenta novos personagens, como também forma a equipe e explica por que os X-Men eram necessários.  Eles não eram só alunos que frequentavam a escola de Xavier.  Entendo que alguns deles se sentem como excluídos e querem pertencer a um lugar em que são aceitos.  Mas por que uma força de mutantes lutadores?  Qual a necessidade disso?  O filme conta essa história.”

Jean Grey (interpretada por Sophie Turner) tem o poder duplo da telepatia e da telecinese.  Mas ela é adolescente e não tem controle desses poderes, e precisa aprender a controlá-los para sua própria segurança e para a segurança dos seus colegas na escola de Charles.  Charles toma conta dela como fez com Raven (em X-MEN: PRIMEIRA CLASSE), pois reconhece seu poder ilimitado.  James McAvoy diz que Charles e Jean têm uma ligação muito forte porque “ele entende como é difícil ligar e desligar seu super poder”.

Mesmo com a orientação de Charles, Jean tem dificuldade em se ajustar à escola e aos colegas mutantes.  “A Jean se sente isolada”, diz Sophie Turner.  “Ela está na escola de mutantes, mas não tem muito controle dos próprios poderes. Os outros têm medo dela ou pensam que ela é um monstro.”

As coisas começam a mudar quando Jean conhece o colega Scott Summers (interpretado por Tye Sheridan), com quem começa a desenvolver uma ligação, e ela desabrocha.  Simon Kinberg avalia: “É uma dinâmica, é a origem da história de amor entre eles.”

Mas, antes disso, Scott (mais conhecido como Ciclope) tem que aprender a lidar com seu próprio poder de lançar raios potentes pelos olhos, contidos apenas por um par de óculos de quartzo de rubi.  Os fãs sabem que Scott um dia vai se tornar um líder dos X-Men, mas ele é uma pessoa bem diferente ao lidar com os próprios poderes em 1983. Ele é bem magro, desajeitado e cheio de revolta adolescente, inclusive contra seu irmão mais velho Alex (interpretado por Lucas Till), também conhecido as Destrutor, personagem já visto em X-MEN: PRIMEIRA CLASSE.

Scott, como muitos de seus irmãos mutantes, inicialmente sente que não pertence àquele mundo.  “Ele tem um senso de humor ácido”, diz Tye Sheridan, mas observa que Jean logo o faz mudar sua aparência sombria.  “O primeiro encontro de Scott e Jean é desajeitado, meio provocador e sedutor, e é a base do que será um relacionamento muito importante.”

Hank McCoy, mais conhecido como o Fera, é quem inventa um visor para Scott, apropriado para o combate e que, finalmente, lhe permite controlar a força dos seus raios ópticos.  Hank faz tudo em um único dia. Ele é um gênio de altíssima ferocidade, força, rapidez e agilidade.

Hank também passou os últimos 10 anos ajudando a reconstruir e abrir a Escola para Superdotados do Professor Xavier.  Nicholas Hoult, que interpreta mais uma vez esse papel depois de X-MEN: PRIMEIRA CLASSE, diz: “O Hank contínua construindo aparelhos e engenhocas, melhorando o Cérebro, e criando um avião a jato supersônico e ultra resistente.  Ele gosta de ser professor e ter jovens mutantes à sua volta.”

Entre esses jovens mutantes está Peter Maximoff, mais conhecido como Mercúrio, que é dotado de extrema velocidade.  Foi um dos personagens que apareceram pela primeira vez em DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, e impressionou muito com uma sequência em que corre pelas paredes da cozinha do Pentágono, paralelo ao chão, na tarefa de libertar Magneto de uma prisão aparentemente inexpugnável.

Aquilo nunca havia sido feito no cinema até então.  Mas existe uma cena com Mercúrio ainda mais impressionante em X-MEN: APOCALIPSE.  “A parte divertida de se construir aquela cena foi criar a filosofia do Mercúrio, de que ele se move com tanta rapidez que poderia cumprir todas as tarefas de um dia normal no tempo de um piscar de olhos”, diz o supervisor de efeitos visuais John Dykstra.  Evan Peters, mais uma vez no papel que interpretou em DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, acrescenta: “O ‘tempo do Mercúrio’ existe dentro de suas próprias leis.  Ele se move tão depressa que o tempo parece parar, mas é muito cansativo para ele.”

Para a nova sequência, foram necessárias várias câmeras, como a Phantom e a Red, filmagem em várias velocidades, às vezes em 3.200 quadros por segundo.  Imagens sem movimento também foram integradas ao conjunto.  “É uma sequência com duração de dois minutos que levamos mais de um mês e meio para filmar e usa a tecnologia cinematográfica mais sofisticada dos nossos tempos,” conta Singer.  “Tem uma atmosfera diferente da cena de DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, e pode ser um tanto melancólica. É definitivamente única.”

A ação em ritmo alucinante complementa o perfil incrementado do personagem nesta nova história.  Mas existem coisas que não mudam nunca. Enquanto os outros mutantes vivem abertamente entre os humanos durante uma década, Mercúrio ainda mora no porão da casa da mãe.  “Ele é meio depressivo”, diz Evan Peters.  “Agora, o quarto dele é mais arrumado, mas ele tem a missão de encontrar alguém com quem pareça ter uma ligação especial.”

Outro novato da escola do Professor Xavier é Kurt Wagner, mais conhecido como Noturno. De aparência demoníaca, pele azul, olhos amarelos e uma longa cauda com espinhos, ele já vivia isolado do mundo antes do surgimento dos seus poderes de mutante: agilidade sobre-humana e a mágica do teletransporte (acompanhada de um som curioso).  O Noturno aparece neste filme como alguém tímido, ingênuo e emotivo, além de ser extremamente sábio. É uma espécie de profeta calado.

Kodi Smit-McPhee (que atuou em PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM) interpreta Noturno. O jovem ator acredita que o público vai se identificar com o personagem.  “No fundo, o Kurt é tradicional, feliz, alegre, espalhafatoso, fiel e vulnerável”, explica.

Também novata nos filmes dos X-Men é Jubilation Lee, conhecida como Jubileu, interpretada por Lana Condor.  Jubileu tem o poder de lançar raios de energia pelas mãos.  É conhecida por seu longo casaco amarelo e sua personalidade de patricinha mimada que adora passear no shopping.  Jubileu tem 18 anos e ainda está tentando crescer e se divertir. Passa a maior parte do tempo com Jean, Scott e o Noturno.  Lana Condor observa: “Ela se encaixa perfeitamente no cenário dos anos oitenta.  Ela tem um estilo divertido, pop e, como muitas pessoas da sua idade—mutante ou não—ela adora videogames.”

Moira McTaggert, agente da CIA, também ajuda os X-Men a deter o Apocalipse. Charles já foi apaixonado por Moira e apagou da memória dela o tempo que passaram juntos em 1962, no auge da época de medo e desconfiança que os humanos sentiam pelos mutantes, a fim de protegê-la de ataques de grupos contrários aos mutantes.

Rose Byrne volta a interpretar a personagem que havia interpretado em X-MEN: PRIMEIRA CLASSE, e observa que, apesar de Moira ter perdido a memória, não perdeu a forte ligação que tem com os amigos mutantes.  “A Moira é uma espécie de marginal”, diz Rose Byrne.  “Ela é uma fortíssima simpatizante e defensora dos mutantes, mas a batalha contra Apocalipse tem prioridade.”  Mas ela também dá fortes sinais de estar renovando sua ligação com Charles.  “Ele dá a Moira o maior presente…” Isso é tudo que ela revela.

Existe ainda mais um humano que é agente disfarçado e está de volta, alguém que é o completo oposto de Moira e está contra os mutantes.  William Stryker é especialista em operações e cientista militar, e quer destruir os mutantes.  Ele faz o que for preciso para exterminar os mutantes, pois acha que eles são uma ameaça à existência da humanidade.  William Stryker apareceu em DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO, na época de 1973, e continua na missão de exterminar os mutantes.  Josh Helman volta a interpretar o papel e avalia: “Ele faz o que acha que deve fazer para salvar o país, mas acredita tanto no que faz que não enxerga as consequências.”

O MUNDO DE APOCALIPSE

A fotografia principal de X-MEN: APOCALIPSE começou em 20 de abril de 2015 em Montreal, Quebec, Canadá. A produção se instalou na Mel’s Cité du Cinema (geralmente chamada de Mel’s), um agregado de estúdios de 100.000 m2 em Île de Montréal, com vista para o rio St. Lawrence.  Contém sete estúdios em um total de 10.800 m2. Cada centímetro desse espaço foi alterado e transformado para atender as enormes exigências da produção.  Além disso, a equipe ocupou várias locações em torno da cidade, como várias instalações industriais, um teatro abandonado, um antigo shopping center e um chalé na floresta.

Newton Thomas Siegel investiu muito na oportunidade de explorar novos territórios visuais, como o antigo Egito, o Egito moderno, a Polônia, a Alemanha Oriental e os Estados Unidos em 1983. Ele delineou cada ambiente de várias formas, especialmente com relação às cores. O Oriente Médio retratado em tons de areia, com uma atmosfera que remete a ouro, calor, areia e clima seco.

É claro que filmar em Quebec no fim do rigoroso inverno canadense foi um desafio. Newton Thomas Siegel conta: “Para fazer as cenas internas do antigo Egito, filtramos a luz do sol dentro da pirâmide e a misturamos com fogo e o tipo de iluminação a óleo que era usado 4.000 anos atrás.  Milhares de anos depois, Cairo é um banquete de cores e luzes, com toda espécie de luz artificial e fluorescente e o sol dourado que criamos para o Egito.”

O designer de produção Grant Major (premiado com o Oscar® por seu trabalho na trilogia O SENHOR DOS ANÉIS) e seu talentoso departamento de arte supervisionado por Michèle Laliberté (de X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO) e a cenógrafa indicada para o Oscar® Anne Kuljian (DIVERGENTE) tiveram a tarefa monumental de supervisionar a criação e a construção dos quase sessenta cenários do filme além da criação e direção de arte das diversas locações do filme na área metropolitana de Montreal e arredores.

O principal desafio de Grant Major foi recriar o Egito antigo e moderno.  O outro grande desafio foi manter o alto padrão de criação gráfica tradicional dos quadrinhos e filmes anteriores dos X-Men.  Ele diz: “Foi uma questão de honrar a qualidade dos artistas que me antecederam e manter os conceitos já estabelecidos da Mansão X e do Cérebro, que são altamente refinados.”  Para o desenho do templo egípcio, a equipe trouxe um egiptólogo para ajudar na pesquisa. Grant Major tinha muitas dúvidas, inclusive sobre que deuses eram relacionados aos Cavaleiros, como representá-los e que animais tinham os mesmos poderes que eles.  O Egiptólogo lhe forneceu hieróglifos, frases que correspondiam à história, e elementos de decoração do templo.  O cenário do templo também teve quatro estátuas gigantes. Todos os hieróglifos foram feitos à mão em formato menor. Em seguida, foram cortados em uma máquina CNC tal qual o desenho de linhas em placas de poliestireno, e foram usados pelos escultores como ponto de referência, conforme explica Grant Major:  “Tínhamos uma equipe grande trabalhando em painéis de espuma durante meses, esculpindo e moldando antes de passá-los para os pintores.  Foi bom termos começado cedo.”

Michèle Laliberté diz que as cenas monumentais de destruição do filme são diferentes das cenas dos filmes antecessores.  “O desafio de se trabalhar com uma história apocalíptica foi fazer tudo muito bonito e destrui-lo em seguida”, Michèle explica.  Em uma das maiores cenas do filme, Apocalipse constrói uma pirâmide realmente gigantesca no meio de Cairo em 1983. Grant Major encontrou uma antiga fábrica que seria demolida dentro do perímetro da cidade de Montreal.  “Nós literalmente demolimos edifícios e a paisagem em volta, e construímos diversas camadas de cenários destruídos”, diz ele.

Ao trabalhar na Mansão X, ele reutilizou o conceito artístico do designer de produção John Myhre, que a construiu para o primeiro filme dos X-Men e para DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO.  Bryan Singer queria uma mansão maior ainda, então Grant Major acrescentou uma biblioteca de dois andares, uma “área de descanso”, quartos, banheiros e vários trechos de corredores. O cenário foi convertido em diversos pisos e ocupou dois estúdios inteiros do Cité du Cinema. A parede que os separava teve que ser removida para acomodar a mansão inteira. Foi o maior cenário de mansão já construído, feito no estilo arquitetônico criado por John Myhre.  Grant Major observa: “Pela primeira vez, o público vai ver a casa inteira, em 360 graus; o chão, o alto, os lados e os fundos. Depois, destruímos aquilo tudo.”

O terreno em volta da mansão foi plantado com centenas de árvores, arbustos, flores e topiaria. Além dos cenários principais da mansão, vários cenários adicionais foram construídos para a cena de extração do Mercúrio, inclusive o banheiro, dois quartos, a biblioteca e uma sacada. O Cérebro também passou por uma reforma, para se adaptar aos anos oitenta.

Uma das cenas principais, com os mutantes Ciclope, Jean Grey, O Noturno e Jubileu, acontece em um shopping center com inúmeros detalhes de época.  Grant Major e sua equipe encontraram o lugar perfeito, um autêntico shopping center antigo no subúrbio de Montreal que não era reformado desde a década de 1980.  Por sorte, o proprietário do imóvel e os lojistas permitiram que a produção fizesse mudanças no lugar.  A equipe de Grant Major esvaziou as lojas e trouxe objetos e mercadorias, e renovaram completamente o espaço, a fim de deixá-lo exatamente como um shopping de antigamente. A equipe pesquisou quais marcas e lojas eram populares nos shoppings americanos da época e obtiveram permissão para usar marcas e logotipos e recriar lojas, como a Contempo Casuals. Ressuscitaram um fliperama e encontraram máquinas da época. O fliperama renasceu com o nome de Space Port, nome do fliperama que Bryan Singer frequentou quando era jovem.

O chalé da Polônia onde Magneto mora e a fábrica de ferro em que ele trabalha foram encontrados em lugares bucólicos que a produção encontrou perto de Montreal.  A fábrica tinha o tamanho certo e produzia artefatos de fundição exatamente como previsto no script.  O desenho do chalé exigia motivos florais e, por sorte, a própria estação rendeu toda a decoração que a produção podia querer. “A casa ficou linda no início da primavera, com um certo toque de cor, mas a fábrica tinha um aspecto mais rústico”, diz Grant Major. A cor pálida das cenas da Europa Oriental já existia no local da fábrica.

DESIGN DO PERSONAGEM

O desafio de projetar os efeitos especiais de maquiagem para o Apocalipse era evitar esconder Oscar Isaac.  No início, sua transformação levava três horas e meia, mas com alguma prática a equipe de dois foi capaz de diminuir para uma hora e meia.

Os efeitos de maquiagem do personagem incluíam uma peça para a testa, um nariz e uma peça para a face, uma peça para a mandíbula e o queixo, uma peça para o pescoço e até mesmo um capacete. “A única parte do corpo que não estava coberta eram os globos oculares de Isaac”, brinca o maquiador especializado Brian Sipe.  “Com uma peça na cabeça e uma para o pescoço, bem como um figurino de vinte peças, o processo completo era “como um quebra-cabeças gigante,” ele acrescenta.  Um dos aspectos proeminentes do design de Apocalipse são os “dreads” de aspecto metálico.  O desafio era tornar o traje “com aparência heroica num corpo normal de homem, ao mesmo tempo que permitia ao ator manter a mobilidade e se adaptar”, diz Sipe.  Eles tinham, também, que manter Isaac fresco na temperatura quente e úmida do verão de Montreal. “Usamos um sistema chamado Cool Shirt”, Sipe continua. “É um sistema de resfriamento semelhante ao que os pilotos de carros de corrida usam. Oscar era ligado a água gelada sempre que não estava filmando para manter uma temperatura confortável”.

Os cineastas usaram um processo exclusivo para criar a voz de Apocalipse.  Singer explica:  Dei nova voz a ele, ainda é a voz de Oscar, mas quando foi feita a dublagem durante a gravação dos diálogos adicionais, além de um microfone padrão Sennheiser, usei também um microfone baixo na face direita e na esquerda um microfone tambor grave, como o microfone de um músico, de modo a poder tirar tons vocais de sua voz que normalmente não seriam ouvidos por um ouvido humano.  Oscar tinha sempre que manter a cabeça no lugar certo, portanto, com três microfones em sua face!

O chefe do departamento de efeitos especiais de maquiagem Adrien Morot (X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO) e sua equipe trabalharam no Noturno e nos quatro Antigos Cavaleiros do Apocalipse.  Para o Cavaleiro “Morte” eles criaram uma aparência inspirada no deserto e nas pirâmides, uma aparência rachada, seca, mumificada. A pele parecia pergaminho velho. “Metade da face, as mãos e o corpo de Morte eram como um leito de rio seco”, explica Morot. “[O Cavaleiro] Peste lembra uma criatura aquática em matizes de azul, com cicatrizes queloides na face e magníficos olhos cinzentos.  Toda sua cabeça era prostética, assim as cicatrizes eram integradas. “A Peste era um personagem muito intimidador, mas magnífico, um personagem reconfortante de se olhar, mas ele vai matá-lo logo em seguida”, diz Morot com uma risada.

Nos quadrinhos, Noturno é magro, com elementos quase felinos: seus olhos têm um formato ascendente como os de um lince, são olhos de pantera. Para permanecer fiel ao período de 1980, bem como ao Noturno do X-MEN 2 de Alan Cumming, Morot fez uma modelagem ao vivo da cabeça do ator Kodi Smit-McPhee para produzir os elementos prostéticos. Foi necessária uma modelagem do corpo para construir a cauda de Smit-McPhee. Morot trabalhou com maquiagem MAC para formular a “receita” especial mate e bases duráveis nas cores necessárias para criar a aparência de Noturno.

A equipe de Morot projetou, ainda, a cauda de movimento cinético de Noturno com o que, ele diz, é uma “armadura interna que tem tensão”.  Sempre que o ator se movimenta, a cauda se move por conta própria.  Morot ficou surpreso com a quantidade de movimento natural ele conseguia atingir sem incorporar um dispositivo mecânico.  No fim da programação de filmagem, o tempo de processamento de Smit-McPhee havia caído para cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos, incluídos a aplicação de próteses, maquiagem, dentes, olhos, armadura que sustenta a cauda cinética, pés e mãos.  “Os maiores desafios foram fazer com que Noturno tivesse aparência real e repetir todos os dias quando ele estivesse no set”, diz Morot, “e, certamente, atender às ideias dos fãs sobre como deveria ser a aparência do personagem”.

A figurinista Louise Mingenbach partiu dos recursos e estoques de numerosas casas de aluguel de figurinos nos EUA e Montreal e buscou lojas de objetos antigos por toda a América do Norte para encontrar milhares de itens de guarda-roupa necessários para vestir intérpretes nas roupas de 1980 de Cairo, Alemanha do Leste e EUA. Ela estima que a produção conseguiu reunir quase 100.000 peças de roupa até o fim da filmagem e vestiu entre 2.000 e 3.000 pessoas.

Para Louise Mingenbach, a parte mais estimulante do processo foram as tempestades de ideias com Singer, com quem já trabalhou sete vezes.  “Não havia restrições e é aí que somos mais criativos”, diz ela.

Louise Mingenbach chama atenção especial para uma cena de cortejo ambientada no Egito antigo, na qual “havia núbios carregando leques, transporte por barcos, os quatro Cavaleiros e duas séries do Apocalipse”, ela explica.  Havia 30 camareiros no set naqueles dias, trabalhando desde as quatro da manhã para que todos estivessem totalmente prontos para a câmera.

O guarda-roupa de Apocalipse era um dos mais difíceis e detalhados para montar.  Assim que Oscar Isaac foi contratado, todas as ilustrações foram construídas a partir de seu corpo, levando em consideração detalhes como as maçãs do rosto e o comprimento do pescoço.  Durante a pré-produção, a equipe passou meses testando tecidos, cores e texturas.  “Todos os tecidos que Oscar usou foram criados especialmente para o personagem”, diz Louise.  “Tivemos cerca de quatro meses para conceber e produzir o figurino e quase não foi tempo suficiente”.  Precisava de dois e algumas vezes três camareiros para ajudar o ator a colocar e tirar o figurino, um processo que poderia levar mais de 30 minutos.

O design de figurino do Apocalipse serviu de orientação para os figurinos dos super-heróis modernos. Louise Mingenbach queria que os personagens fossem vistos como um conjunto: “guerreiros que estão relacionados”, diz ela.  A equipe projetou as asas do Anjo, aprovadas por Singer, mas elas jamais foram construídas, pois eram de manejo muito difícil para serem usadas no set.  Assim essa tarefa foi transferida para o departamento de efeitos visuais.  O figurino de Ben Hardy foi feito de tecidos mais flexíveis e delicados do que de muitos outros para facilitar o movimento aperfeiçoado para as cenas de voo.

Singer insistia sempre para que fosse tirado o máximo de referências possíveis das revistas em quadrinhos.  Para Tempestade, Louise Mingenbach se inspirou em alguns dos figurinos dos quadrinhos, especificamente as falas, cores e referências ao Egito antigo, o Cavaleiro antigo e o Cavaleiro moderno.  Existe uma forte correlação visual entre o Egito antigo e os figurinos de 1983.

O figurino de Olivia Munn para Psylocke veio direito dos quadrinhos. “Quando se trata da forma como ela se apresenta é muito importante para mim tratar bem os fãs”, diz Olivia, “porque eu sou uma fã”.  A dificuldade era fazer o figurino funcionar para as sequências desafiadoras de ação. “Ela não está usando praticamente nada”, diz Louise.  Um membro da equipe do departamento de dublês ajudou a fazer equipamentos muito discretos de modo que a atriz pudesse executar seus ardis sem um equipamento antigo volumoso embaixo dela.  Outro desafio: Não era fácil colocar e tirar o figurino de Olivia Munn.   “Era como colocar um preservativo gigante todos os dias que ela filmava.  É um traje de látex feito por uma sex shop de Los Angeles”, diz Louise Mingenbach, com uma risada.

Para a sequência de Berlim Oriental de 1983, Louise explica que “tudo foi mais discreto, um pouco mais contido, que a década anterior”, ela diz. A equipe vestiu trabalhadores de fábrica, doutores, oficiais de polícia da Staci, damas da noite e avós. Eles colaboraram com Grant Major para manter as paletas limitadas e uniformes.

Em Westchester, Nova York, na Mansão X tudo se resumia a cores brilhantes dos Estados Unidos de 1980, “repleta com todos os neons, listras e poás”, conta Louise.  Eles foram inspirados pelos ícones de estilo da década, “como Boy George, Michael Jackson e Brooke Shields”.  A figurinista teve uma abordagem ligeiramente menos saturada dos anos oitenta.  “O início dos anos oitenta foram difíceis de enfrentar. Nunca havia o suficiente ocorrendo com tecidos e acessórios, assim diminuímos um pouco o tom de modo a não ser exageradamente extravagante ou perturbador.”

Para vestir os jovens mutantes na escola de Xavier, Louise Mingenbach novamente foi fiel aos quadrinhos. Trabalhando com Sophie Turner como Jean Grey, ela levou em consideração que a atriz, como a personagem dos quadrinhos, é ruiva.  “Sophie é uma bela jovem”, diz Louise, “mas algumas vezes queríamos vê-la parecendo desajeitada ou pouco à vontade”.  A história tem início com Jean não sabendo verdadeiramente seu lugar, assim as roupas foram escolhidas especificamente para cobri-la, fazê-la sentir-se protegida, “para encapsulá-la”, explica Louise.  Em boa parte do filme, antes das sequências da batalha final, ela usa um blazer de homem desconstruído e grande demais com ombreiras estilizadas.

Para o Noturno de Kodi Smit-McPhee, a primeira coisa que Louise Mingenbach enfrentou foi um traje que ele vestiria numa sequência importante ambientada num clube de luta.  Ela havia encontrado uma jaqueta velha na pilha de descartáveis da “louca sala dos fundos” da Western Costume de Los Angeles.  “Era uma jaqueta de circo velha e manchada com caudas pontudas fantásticas unidas por um cordão”, relata Louise.  “Kodi tinha o corpo perfeito para ela, assim recriamos a jaqueta e a combinamos com algumas calças assimétricas dos anos oitenta. Infiltramos um pouco da aparência de Boy George e para suas cenas na mansão, tentamos manter Noturno fiel aos quadrinhos trabalhando com formas vermelhas, pretas e diagonais que os fãs reconhecerão”.

Para Jubilation “Jubileu” Lee, Louise Mingenbach tinha uma variedade de mais de 20 figurinos desenhados para a atriz Lana Condor.  “Eu poderia lançar uma flecha no escuro e escolher um que eu gostasse”, diz Lana Condor.  Afinal, o guarda-roupa incluía saias completas, meias-calças, botas, blusas de um ombro só. “FLASHDANCE estava em todos os lugares com Jubileu”, se diverte Louise ao descrever.

Por volta de 1983, o professor Hank McCoy está amadurecendo.  Ele usa ternos casuais, mas elegantes, aos quais Louise Mingenbach se refere como “roupas da Fera” e Singer achava que se pareciam com as roupas de seu pai nos anos oitenta.  Hoult estava entusiasmado com os detalhes do seu guarda-roupa. “Eu tinha esse ótimo relógio calculadora Casio dos anos oitenta, que veio muito a calhar”, ele brinca.

Para Jennifer Lawrence, Louise levou em consideração o modus operandi de Raven:  “Ela está lutando por uma causa e não está particularmente preocupada com a aparência”, diz a figurinista.  Ela achou para Jennifer Lawrence uma jaqueta de couro com tachinhas “tipo Chrissie Hynde” e uma velha camiseta rock-‘n-roll.  “1983 foi a grande era da garota roqueira”, diz Louise, “ e essa aparência refletia a natureza rebelde de Raven”.

Os trajes dos X-Men tinham que ser mais práticos e “ostentação-oitenta”. Precisavam parecer como algo que estava sendo desenvolvido pelos militares.  As roupas precisavam, também, cair bem tanto nos membros masculinos quanto nos femininos da turma, como Hank, Moira, Raven, Mercúrio, Jean, Scott e Noturno. “Isso era um desafio”, diz Louise, “equacionar o que fica bem em Jean Grey que fique igualmente bem no Fera”.

O MÁGICO DOS EFEITOS VISUAIS

O supervisor de efeitos visuais, vencedor por duas vezes do Oscar® John Dykstra tem um currículo suficientemente longo para encher uma pirâmide.  Sua experiência notável tende a resultar em transições imperceptíveis entre o mundo real e o imaginário.  Se Singer é o guru quando se trata dos X-Men e suas habilidades, então Dykstra é o mágico que cumpre suas profecias.

“Os super-heróis não podem fazer nada sem efeitos visuais”, brinca Dykstra. “Todos os poderes dos X-Men são amplificados pelos efeitos visuais. Temos um cara que usa impacto sônico, ruído de baixa frequência para destruir os inimigos. Há outro que controla o calor e projeta ataques térmicos. Um outro tem telecinesia.  Representar os diversos poderes visualmente é o maior desafio para o enredo, mostrando-nos numa aplicação específica e criando a sensação de realidade em situações que são obviamente irreais.”

Filmar em 3D estéreo nativo acrescenta outra dimensão à mágica, assim o departamento de efeitos visuais tem que lidar com “o invólucro”, que é a capacidade de ver em torno dos limites das coisas.  “Isso muda como as coisas são colocadas na composição, a forma como as coisas quebram o limite do quadro, o brilho dos objetos para manter os detalhes de modo a que eles processem como duas imagens de olho separadas e tenham forma”, explica Dykstra. Ele descreve o processo “aproximadamente como a diferença entre cor e preto e branco, mas não mais difícil do que qualquer outra coisa.  O apetite do público para imagens mais sofisticadas cresce exponencialmente e a capacidade de se manter atualizado nesse campo é sempre nosso maior desafio”.

UM FILME MUITO MAIOR

Enquanto faz os ajustes finais em X-MEN: APOCALIPSE, Singer comenta que apesar de seu trabalho de direção anterior (X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO) ter sido imensamente recompensador, o novo filme é ainda maior, em diversos aspectos.  “Em termos de escopo e recursos visuais, é um filme muito maior.   DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO tinha alguma viagem no tempo, alguns robôs, mas principalmente muitos ataques!   No entanto, este trata de destruição global, personagens divinos, coisas desse tipo. Um filme muito maior.  Nem nós, nem os personagens, nunca desanimamos e nos prendemos a isso porque são muito importantes.  Mas, definitivamente, haverá muito mais espetáculo desta vez.

Créditos: Texto de Release e nota / Assessoria de Imprensa Espaço Z

 

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